sexta-feira, Outubro 14, 2005

Carreiristas ou Comunistas saudosistas?

A Camâra Munícipal da Marinha Grande é de novo do PCP - PEV após 12 anos nas mãos do PS que não fez metade do que devia e a outra metade fez graças ao PDM. Confesso que esta vitória de um partido companheiro de esquerda me deixa apreensiva... ainda mais por estar a falar do PCP da Marinha Grande.
Aqui sempre uma tradição de esquerda muito grande, tenho impressão que a direita aqui nem é direita, o quer dizer que que o comunismo aqui é levado à letra sem qualquer tipo de cedências.
O meu medo é que se volte às perseguições políticas sectaristas, porque, como bem sabemos, os nossos amigos do PCP acham que as suas ideologias são as melhores e por isso querem impô-las (não deixa de ser um gesto generoso da parte deles, querer partilhar uma coisa boa), só que nem todos pensam da mesma maneira e numa sociedade democrática não há lugar para imposições deste cariz.
Actualmente, não faz sentido que se continue a pôr a hipotese de uma abolição de classes! Cada um tem o ordenado para o qual estudou ou trabalhou; é certo que nem todos têm direito às mesmas oportunidades e por isso nem todos estudam ou arranjam um bom tacho, mas é para defender a igualdade de oportunidades e combater a corrupção que a esquerda existe. Se este combate fosse travado com dureza e rigor certo era que, neste momento, todos teriam o direito de estudar sem limitaçãoes monetárias. Então se Beltrano estudásse até ao 9º ano, seria justo que Sicrano, que completou o ensino superior, tivesse um ordenado muito mais elevado, se os dois ganhássem o mesmo (abolição de classes) já não seria justo.
Se pensarmos bem Marx também defendia isto na célebre teoria da 'mais valia', o salário é proporcional ao lucro que o empregado dá a ganhar ao patrão. Isto, meus caros, não era dificil de se pôr em práctica com um código de trabalho que não defendesse tanto a entidade patronal.
Mas voltando à Câmara Comunista da Marinha Grande espero sinceramente que o prognóstico que eu faço não se concretize senão veremos na Marinha Grande uma "Cuba da Europa".
Força à esquerda moderna!

terça-feira, Outubro 11, 2005

Enterrar viva a história de uma Cidade

Quem frequenta este blog, na certa, já está habituado aos temas maçudos e, mais ou menos, controversos dos meus post's. Este não será excepção embora seja muito especial e sentido.

No séc. XII a Marinha Grande já existia como povoamento mas só em meados do Séc. XVIII é que se notabilizou com a vinda da Fábrica de Vidros de Coina, em 1748. Devido às suas características fisicas e geográficas a Marinha Grande oferecia importantes mais-valias para este tipo de indústria, como por exemplo, as areias para a composição do vidro e a madeira do pinhal de Leiria para a combustão dos fornos. O Sir. Jonh Beare foi o primeiro administrador mal sucedido.

Seis anos mais tarde, o inglês Guilherme Stephens, com o apoio fundamental do Marquês de Pombal, pede um empréstimo ao Rei, sem juros, para adquirir a fábrica da Marinha Grande e a pôr a laborar. Conseguiu ainda permissão para utilizar a lenha do Pinhal de Leiria para alimentar os fornos, sem qualquer custo.

Guilherme Stephens e os seus 2 irmãos, Diogo e Filadélfia, não se preocuparam somente com o seu lucro. Movidos por uma generosidade e inteligência sem precedentes, empenharam-se na educação e instrução dos seus trabalhadores, abrindo uma escola pós horário laboral e promovendo actividades culturais e lúdicas no espaço da Fábrica. Exemplo disso é o teatro onde os própios trabalhadores representavam Voltaire!

A fábrica foi um caso de sucesso a todos os níveis.

Depois de Guilherme Stephens morrer foi o seu irmão que tomou conta da fábrica continuando com as mesmas linhas orientadoras até então. No entanto, Diogo Stephens, querendo deixar ao povo uma fábrica que também era sua, doa-a, em Testamento, o Estado Português.

Aqui, em 1826, inicia-se um novo ciclo na história da Fábrica Irmãos Stephens mais conturbado. Sucedem-se os conflitos entre administradores e os trabalhadores, resultando em greves e séries crises que culminam em 1992, definitivamente, com a extinção da F.E.I.S pela mão do então Primeiro-Ministro Cavaco Silva.

A Fábrica Escola Irmãos Stephens, produtora de vidro e cristal de fama mundial é abandonada pelo governo português, era um peso que este não queria carregar mas essa era a sua obrigação. Anos a fio impigiu à F.E.I.S, administradores pouco competentes e corruptos que andaram a alimentar os própios bolsos com o dinheiro dos subsídios, em vez de apostarem na técnologia e formação de modo a fazer face às exigencias do mercado. No fundo, bastava-lhes cumprir honrosamente a sua tarefa, seguindo exemplo dado por Guilherme Stephens há mais de 100 anos atrás. Mas não!!! E o estado português, negligente propietário, também não se ralou muito.

Hoje, 11 de Novembro de 2005, os fornos desta fábrica foram condenados definitivamente, o seu último proprietário, mais um vampiro que sugou até à última gota o legado dos Stephens, aproveitou o nome da fábrica para se auto-prestigiar, quando o conseguiu sangrou os fornos e deixou centenas de trabalhadores na rua, com salérios em atraso e com o trabalho de toda uma vida esquecido.

Estamos a deixar enterrar a história da nossa cidade de braços cruzados. Estamos a deixar morrer uma profissão que dantes era sinal de grande prestigio - o mestre vidreiro.

A mim, pessoalmente, custa muito ter lido esta notícia hoje:

"a massa falida da Jorgen Mortensen dispõe de condições jurídicas que permitem juntar a parte fabril ao património edificado e colocar a fábrica a produzir", garante a administradora judicial Alexina Vila Maior. Só que o cenário existente configura o irremediável desmantelamento final da unidade, 236 anos após a fun- dação pelos irmãos ingleses Stephens. À falta de interesse dos investidores na produção do vidro junta- -se a ausência de propostas institucionais que visem a manutenção da Fábrica-Escola Irmãos Stepens como legado cultural ao povo marinhense. "

in Diário de Notícias, edição de 11/10/05

segunda-feira, Junho 13, 2005

Alvaro Cunhal

Alvaro Cunhal é um daqueles homens que "se vão da morte libertando", o seu nome, a sua imagem e a sua acção vão estar tão vivos nas nossas história e memória como estavam na véspera da sua morte. São de louvar o seu combate às injustiças do capitalismo, assim como a sua verticalidade e convicção nos ideais em que acreditava...Ninguém pode negar o seu valor na luta contra o regime fascita... Ninguém se pode esquecer dos sacrificios que fez em prol da idealização de uma sociedade ao jeito de Thomas Mann. Foi essa utopia que o fez lutar e também cometer alguns erros gravosos, mas esta não será a altura mais apropriada para os enumerar... Só espero que a liderança do PCP os tenha em atenção e reconsidere a sua acção de modo a homenagear o seu fundador da melhor forma - Não deixando o comunismo de Marx e Lenine morrer!!!
Não precisamos de mais Estalines e Castros...
Hasta siempre Camarada!!

quarta-feira, Março 09, 2005

Mania de enterrar a cabeça na areia

'O que os olhos não veêm o coração não sente' ou ' Roubar não é vergonha, vergonha é ser apanhado!' , são apenas dois exemplos para a atitude que a maioria das pessoas adoptam em relação à questão da discriminação do aborto. E convém sublinhar a utilização da palavra discriminalização em deterimento da palavra despenalização, porque as duas têm significados muito diferentes. E essa diferença é fundamental neste tema.
A discriminalização significa deixar de tratar como criminosa uma mulher que se viu obrigada a fazer uma opção de extrema dificuldade e violência para si. Não acredito que alguma das mulheres que optaram por esta situação o tenham feito de ânimo leve ou sem antes terem ponderado sobre todas as possibilidades. A interrupção de uma gravidez é física e psicologicamente muito dolorosa para uma mulher, não é feita por gosto concerteza!
E a sociedade que condena estas mulheres é também a sociedade que lhes retira todos os apoios para elas puderem trazer uma criança ao mundo com a promessa de uma vida digna. É do conhecimento geral que uma mãe solteira é vista com outros olhos pela comunidade em que está inserida, assim como uma grávida tem maior dificulfade em conseguir emprego ou a conservar o que já tem.
Mas estas são apenas algumas das dificuldades primárias, depois temos todas as outras, bem mais complexas, que se seguem ao nascimento da criança. Quando oiço falar na defesa da vida, surge-me sempre a mesma questão: Será que esta gente tem consciencia que as mulheres que abortaram o fizeram na ausência de qualquer possibilidade de cuidar da vida de uma criança? É melhor ter um filho para não lhe poder dar educação, habitação, saúde e pão? É que os apoios sociais em Portugal não servem de muito, e não nos podemos esquecer disso.
Esta questão do aborto, na minha perspectiva, passa apenas por, de uma vez por todas, tirarmos a cabeça da areia e assumir-mos a sociedade que temos, os abortos sempre foram feitos em Portugal e não é por a lei não o permitir que vão acabar (nunca acabaram). Temos por isso de dar condições a estas mulheres para fazerem as suas opções às claras e providênciar-lhes todo o apoio necessário para terem ou não um filho. A alteração da lei não vai aumentar o número de abortos, pelo contrário vai apenas tornar clara uma realidade que a tempo certo terá de ser reflectida.
Antes terminar queria apenas levantar uma questão. Onde estão os homens que engravidaram estas mulheres? Porque não estão eles presos também?

O Engº Sócrates não é Deus!

Eu sei que a primeira coisa que vão pensar quando olharem para este título vai ser qualquer coisa do género: 'Ela não anda bem!'. Mas ela/eu ando bem, aliás tão bem que consigo encontrar o equilibrio perfeito entre a minha militância e os factos políticos.

Durante três anos de governação de PPD-PSD coligado com CDS-PP e depois de toda esta campanha digna dos cérebros da 'Produções Fictícias', as pessoas entraram em tamanho estado de desespero que abandonaram o conforto das suas vidinhas para pensar e votar. E tal efeito foi muito bom, mesmo muito bom! Mas a dúvida que me surge agora é se as pessoas foram votar tendo plena consciência que estas eleições apenas servirão para iniciar um novo cíclo da vida política, sem grandes alterações para a sua vida quotidiana; ou se pensam que o Engº Sócrates chegou para vencer e vai transformar-nos todos em cidadãos com um bom emprego, uma boa casa, sem dívidas e por aí em diante...

É natural que a maioria tenha as suas esperanças na última opção, no fundo todos nós gostariamos que o novo Primeiro Ministro fosse Deus e fizesse com que Portugal se tornásse um respeitável membro da Comunidade Europeia, e agora desculpem-me os crédulos, mas não é! E não passa de um político com um percurso modésto, sem grandes glórias ou inglórias, que teve visibilidade, enquanto Ministro do Ambiente no governo de Guterres, a propósito da Barragem do Alqueva e da polémica da co-incineração. Não me parece que Sócrates surja agora tipo 'Fénix Renascida' para resgatar Portugal da crise económica e moral que o afunda. Parece-me antes que vai ser um chefe de governo não muito diferente dos que temos tido, sem contar com Pedro Santana Lopes, e que fará o que achar melhor de acordo com a sua tendência política e com os grandes interesses económicos.

Sinceramente espero que os jornalistas, a oposição, o Dr. Luís Delgado e as pessoas em geral não se apressem em apelidar de Judas o novo Primeiro Ministro, sem que os efeitos do seu programa sejam notados, só porque ele não conseguiu ser Deus.

quinta-feira, Março 03, 2005

Blá Blá Blá

Palavras...
Palavras e mais Palavras...
Estou farta de tanto palavreado!!
Palavras ditas, escritas, dactilogradas ou 'tecladas'....
São só Palavras e mais Palavras...
Palavras Loucas, Ocas...


A Humanidade é só uma PAlAVRA